Mas, e daí? Fica. Foi uma crise dessas internas, quando o sentido de tudo sofre um mal súbito. Você sabe, eu procuro o amor romântico. O que vou fazer? Não sei me enganar. Acho que é instinto, algo muito maior que eu. Bastam uns dias sem te ver pra eu já não saber o que fazer com os próximos. Por um fio não pego um banquinho alto e tento me decapitar com a hélice do ventilador de teto. Talvez uma morte ridícula possa animar minha noite. Mas eu não quero morrer, é uma depressão, um cansaço que chega quando o sentido se esconde. São apenas mudanças. Nossas necessidades trocam o tempo todo, hoje carinho, amanhã sexo, depois dinheiro, romance, diversão, solidão, quietude ou merda qualquer. Quando vê a gente se perde. É só tudo perder o sentido e a gente se separa. É só a gente se separar pro sentido voltar. O brabo é toda hora ficar procurando uma nova canção que sirva pra nós. Isso me incomoda. Ontem, eu premeditei seriamente em te dizer “olha, senta aqui, não tá dando mais, acho que vou seguir um caminho diferente e mais fácil, não fala nada não, eu já me decidi”. Eu realmente me sinto culpada por pensar assim, às vezes, toda semana. Não sei se você concorda comigo, mas estar junto não é tão ruim assim. Então, fica sempre pra depois. Não vou dizer que é tudo mágico. Mas eu também não quero perder nada. Você vai argumentar com alguém com todos aqueles trejeitos engraçados e quero estar lá pra rir. Vai roçar com a ponta de todos os dedos a barba mal feita no gogó e eu quero estar lá pra implicar. Eu quero protestar quando seus pratos não seguem a receita que achei na internet. Tem sempre um filme na tevê que ainda não passou. Não sei se é apego ou porque minha vontade de saber o que você vai me aprontar amanhã nunca cessa. Tem sempre algo que a gente sonhou fazer juntos e não quer deixar inacabado. Ninguém tira meia fotografia, ninguém viaja até a metade do caminho, não fica bem sair no meio de uma peça de teatro, ninguém telefona por meia pizza. Um trabalho não finalizado não é um trabalho. Vai ter sempre algo. Uma roupa pra buscar, uma festa de aniversário de algum amigo em comum, um truque novo na cama, um episódio de estreia daqueles seriados que você me ensinou gostar, a doença da sua mãe. Essas pequenas coisas. De algo em algo, a gente vai levando. As coisas que acabei de dizer, leve em consideração só até a meia-noite. Eu sempre tento virar a página sem grifar as partes importantes com alguma caneta de cor alarmante. Mesmo num amor de linhas tortas como o nosso, o fim parece um erro, como um ponto final no meio da frase.

Gabito Nunes. (via inverbos)

(via inverbos)

Que o tempo me tire tudo, menos você. Que o tempo leve todas as lembranças ruins, mas que deixe você. Que o tempo esqueça de fazer florescer, mas que lembre de deixar você. Que o tempo consiga aprimorar e melhorar todos os pensamentos dos hipócritas, mas que deixe você. Que com o tempo, as pessoas aprendam a enxergar a vida e os problemas de forma diferente. Que o tempo esquente o café, mas que não esqueça de deixar você pra tomar junto comigo. Que o tempo separe um tempo pra nós dois. Eu e você. Que o tempo dê um tempo pra você me amar, e que esse tempo seja rápido. Que o tempo, com o tempo, aprenda a não levar você e de vez em quando trazer. Que o tempo, apesar de bruto, aprenda a curar e não somente ferir. Que o tempo, apesar de tudo, não passe rápido… Porque apesar das dores, é bom estar com você.

Alugue Felicidade.  (via allaxg)

(via allaxg)

Você sempre soube que eu não fazia o tipo descolado. E eu pensei que você me deixaria por eu ficar quieto na minha, acanhado na sala de aula, vivendo no meu próprio mundinho. Eu pensei que você me deixaria por ser o tipo nerd, ou melhor, CDF. Por ser o tipo que não liga para o que os outros vão pensar, e que faz as coisas sem se importar com ninguém. Você também não era a melhor das causas, não era o tipo mamãe-sou-popular, mas tinha pose de tal. A gente não era o casal exemplo. A gente não era o tipo que ia ganhar como o melhor casal do baile de formatura. Mas a gente era um casal, e isso bastava. E eu pensei que você iria me deixar por eu ser desligado de tudo, por eu não perceber coisas simples, como quando você pintava o cabelo, ou cortava uma franja. Nem mesmo quando você comprava roupas novas. Eu não percebia. Mas você sabe que eu era a única pessoa que dizia que você estava bonita todos os dias, mesmo não percebendo os detalhes. E você sabia que era real. Verdadeiro. Juro que pensei que você iria me deixar de lado, quando apareci naquela festa, com uma roupa brega, estilo “sou estranho”. E você me surpreendeu falando que achou bonitinho, e me deu um beijo no rosto e viu que o meu sorriso apareceu. Acho que o meu sorriso era você. Você podia ter me deixado quando viu que eu morava em uma casinha simples, humilde, sem muitas coisas, mas não, você só disse “onde é que fica a sua cama?”. Você foi quem fez o meu jeito, minhas manias e defeitos, se tornarem significativos. E eu me amei tanto, mas tanto, que percebi que você fazia eu me amar. E percebi também, meio sem jeito, que era você quem eu amava. Que era você que eu precisava. Mas aí, você foi embora, como todos os outros. E eu lembro, que naquele dia, sentei na minha cama, segurei o travesseiro forte, e chorei me perguntando “Por que é que todos sempre tem que ir embora?”. Eu percebi, que você não havia me deixado antes, mesmo com todos os meus defeitos e jeitos complexos, porque eu te amava. Porque eu era o tipo que fazia de uma única pessoa, um mundo próprio. Deve ter sido exatamente por isso, porque você percebeu que eu era o melhor, mas não o que você precisava. Você foi procurar alguém que mude você, não quem você precise mudar. Você foi embora, sendo quem você sempre foi. E eu fiquei aqui, sendo o melhor que eu poderia ser. Obrigado!

“O melhor que eu poderia ser.” - Allax Garcia (via allaxg)

(via unmillenaire)

Eu posso te contar dos dias em que fiquei confusa, o pensamento não batia e o medo, em compensação, batia muito, a coragem me chamava de covarde, o amor me sorria com dentes cerrados e eu não sabia qual caminho ia e qual vinha. O horóscopo não ajudava, conselho de amiga era furada, todo dia era noite e todo amor era só diversão. Eu posso te contar das rimas em vão, das boas conversas desperdiçadas ou do rumo sem prumo. Você não vai querer saber… Eu chorei nesse meio tempo, me perdi, me esquivei, saí de mim e voltei. Dei voltas no escuro e me segurei no ar para reaprender a andar. Vida é passo lento, e eu precisava era correr para qualquer outro lado contrário sem freio. E não sei o que você andou fazendo enquanto isso, por quais calçadas pisou, do que fugiu ou quantas histórias de si mentiu para não precisar a contar verdade. Porque a gente nunca está bem o bastante para contar a verdade. E hoje, te falando mais do que falo ao meu espelho, vejo quão bem fiquei. Entre muitas tempestades posso te contar que tive um dia de sol. Foi você. E o engraçado é que chovia, mas de algum jeito fez sol aqui dentro. O tempo mudou, nuvens limpinhas chegaram no meu céu. Te encontrar foi renovar a previsão do tempo por aqui pelos próximos muitos anos. E até disso eu posso te contar. Será que você espera só um pouquinho para eu poder deitar no seu colo e pedir mais um carinho? Depois disso, todas as verdades se escancaram, inclusive nós.

Camila Costa. - trechos de nós. (via camilacosta)

Todo dia o amor é uma batalha, é assim que eu vejo. Quero que você veja como eu, mesmo sabendo que é errado pedir uma coisa dessas e achando até o seu jeito meio desfocado de enxergar esses assuntos do coração um defeito bonito, desses que a gente precisa para ser quem se é. Mas é que todo dia, querendo ou não, a gente precisa lutar, meu amor, para não perdermos os detalhes que nos aproximam, seja no gesto que você faz quando vai me abraçar mais forte e eu fico com o cantinho do olho aberto só para ver se está sorrindo, ou então quando eu baixo a cabeça para não chorar e você já sabe que algo ali não vai bem. Quando nos percebemos, nós nos encaixamos. Porque para se perder basta se encontrar, dizem por aí. É como estar vivo. É como estar em uma guerra. A diferença é que aqui nós dois ganhamos e o mundo que fique lá, girando como sabe girar sem interromper como nós vemos o sol ou a lua. A diferença é que a nossa guerra nos une, que a batalha de todo dia é selada com um beijo e a arma mais mortal é esse seu sorriso, que eu perco até a linha dessa frase só de lembrar. Eu nos vejo assim, como aqueles loucos da foto que entregam flores aos homens armados; vamos contra o mundo, a multidão, seja lá o que for. Vamos enxergando um pedacinho do outro em cada bobagem do dia. Eu gosto das suas bobagens, é por elas que eu luto com unhas e dentes - ou com chocolates e filmes a dois. Só não deixa de lutar pelas minhas… Desfocado ou não, do jeito contraditório, só não deixa de nos enxergar.

Camila Costa. - trechos de nós. (via camilacosta)

Na segunda vez já era ainda mais certo do que na primeira. Na segunda vez o beijo já se conhecia, a mão já era um pouco menos tímida na hora de procurar a outra. Na primeira vez a gente se reconheceu, na segunda a gente se encaixou. E assim foi, nas incontáveis vezes de nós dois sentados em um banco qualquer ou deitados numa cama confortável. Desde a segunda vez nós já estávamos em casa, e, olha, sendo sincera, eu nunca pensei que existia mesmo um lar por aí para mim. Eu não costumo descansar, não que considere falta de tempo, apenas não sei desacelerar, você percebeu isso de cara: a minha voz devagar só engana. E desde então você é um lar para deitar a cabeça e só deixar rolar, mesmo que tudo lá fora se perca enquanto eu me encontro. Na primeira vez eu bati à porta. Na segunda minha escova de dente já estava contigo. Na metáfora da vida eu te quis desde o primeiro segundo. Na corrida dos dias eu ainda tropeço para nunca, nunca te deixar partir.

Camila Costa - trechos de nós. (via camilacosta)

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

Carlos Drummond de Andrade.  (via allaxg)

(via unmillenaire)

Você pode conhecer vinte caras bonitos e que te entendem muito bem, dez caras legais que cuidam de você como se fosse um diamante precioso, uns outros tantos inteligentes, atraentes, bacanas e engraçados em ordem aleatória. Nenhum deles te encanta. Por quê? Falta o tão chamado click, aquele jeito especial que ninguém explica. Pode ser o jeito de mexer no cabelo, a forma como ele te olha, que conversa contigo ou até mesmo um jeito secreto que nem o profeta mais sábio percebe, mas que está lá, você pode ver. Entre tantos milhares, talvez um ou outro se salve ao filtro do “‘jeito”, e daí você percebe: é esse que eu quero abraçar e não largar mais, com quem eu quero me enrolar embaixo de cobertores e com quem eu quero dividir todos meus segredos. Baseado no quê? Num jeito inexplicável ao resto do mundo.

Martha Medeiros.    (via inverbos)

(via inverbos)

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…

Carlos Drummond de Andrade.  (via allaxg)

(via allaxg)